A parte que estava perdida.

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Antes que qualquer mudança em meu ser pudesse acontecer passei pela noite escura da alma. Eu senti dor, angústia, desespero, preocupação, solidão e o que mais me controlava, o medo.

A combinação de sentimentos pode vir de maneiras diferentes para cada um de nós, mas no meu caso quando um vinha, acabava que puxava outro junto e no fim todos me atingiam de uma só vez como um trator bem barulhento, com sirenes e tudo. Os pensamentos eram insuportáveis, o corpo então começava a reagir e a dor se tornava física, como uma tentativa de rejeitar todo aquele turbilhão de sentimentos destrutivos.

As lágrimas eram a forma mais expressiva do tudo que eu sentia. Eu sabia que no momento que eu começasse a chorar significava que eu estava começando a ceder ao que não era real, a dor e os pensamentos perigosos penetravam e passavam a fazer sentido de algum modo, o choro era prazeroso, eu queria sentir cada uma das lágrimas e não parar de senti-las nunca mais. O choro era sempre o mais suprimido o possível, não era escandaloso, pois meus monstros sabiam dos riscos de chamar atenção, eu deveria sofrer sozinha.

Ao passo em que o corpo começava a ceder, o silencio estranhamente tomava espaço. O choro cessa, os pensamentos não são mais gritantes e o desespero some. Passou? Não, não tinha passado. Sentada no chão completamente imóvel, como uma boneca de pano, eu olho ao meu redor e não entendo onde estou. O que é este lugar? Por que eu estou aqui? O que são estas coisas à minha volta? Por que tenho consciência? Por que sou quem sou? Estas perguntas em si não me machucava, mas de algum modo a dor me tirava da realidade material. Eram a vontade de entender porque estava vendo aquele lugar de um jeito diferente, como se antes fosse uma ilusão.

Rapidamente estes pensamentos eram ofuscados por imagens mentais que me atormentavam, e por pensamentos que me encorajavam a sentir pena de mim mesma. “Veja o que fizeram com você.” , “Seu lugar é aqui no escuro.” Neste momento o quarto escuro não me deixava desconfortável mais, se tornava a condição mais acolhedora. Queria ficar no escuro e me esquecer ali. Não levantar nunca mais. Tinha em mente que havia acabado de perder uma batalha.

De tanto ter chorado o sono vinha muito forte e eu dormia. No dia seguinte eu estava devastada, confusa e sem energia, mas eu tinha que levantar e fingir que nada tinha acontecido.

Sei que esse relato não é positivo, e pode ser arriscado acessar lembranças assim, mas antes de trazer qualquer assunto com poder curativo queria expor que esse mesmo momento angustiante me trouxe algo muito importante e provavelmente o que me ajudou a acreditar que existia um jeito de melhorar. E vai muito além disso.

Obrigada e acreditem em vocês mesmos! ^_^

Bianca Vieira.

 

 

 

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